Os melhores decores dos Óscares

Eu adoro filmes, e por consequência adoro todo o aparato dos Óscares, mas numa altura em que todas as atenções recaem sobre as roupas e '' quem usou quem '' eu faço uma analise clínica ao decor dos meus filmes preferidos deste ano!


Birdman or (the unexpected virtue of ignorance):

(MELHOR FILME 2014)

Depois de se tornar famoso por tornou-se famoso no papel do super-herói Birdman,  Riggan Thompson é agora um actor decadente a tentar recuperar a carreira e a sua própria vida produzindo  a sua peça na Broadway.

Mas na véspera da estreia, com o projecto à beira do desastre, Riggan vê-se obrigado a contratar um jovem actor que detesta, sendo assim uma luta com só seu próprio ego numa viagem sombria e estranhamente hilariante, quase custando a Riggan a carreira, a família e a sanidade mental.

 

|| Realização Alejandro González Iñárritu, 



O decor:

 

A pesar da complexidade, da confusão e da informação constante do filme é me impossível não salientar  alguns pontos da decoração e a toda a produção de espaço em volta desta história.

Enquadrado no conceito da big apple, onde a agitação, os prédios altos e industriais, as luzes, as cores a musica nos fazem remeter a cidade que nunca dorme, os espaços da narrativa, diria eu, são quase mais fieis ao personagem que à localização geográfica.

Espaços citadinos com uma mistura de loucura e beleza, mas em todos o quê de decadência, de abandono e descuido - e aqui não podia ser nada diferente.

O decor de um filme não deve falar mais alto que as personagens, mas quando não bate certo poder arruinar o produto final. 

Em Cima: 

  • As luzes em forma de pimentos de várias cores iguais a de uma das cenas do filme - Um tque de loucura e excentricidade que adorei.
  • Na sala de Riggan Thompson, conseguimos ver um sofá de veludo verde musgo, velho e descuidado - à imagem da personagem principal.



Espaços com a mesma vibe:






The theory of everything

 Em 1963, enquanto estudante de cosmologia na conceituada Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Stephen apaixona se por Jane Wilde, uma estudante de artes, também em Cambridge. Já com avanços notórios na sua área, descobre com apenas 21 anos de idade que uma doença degenerativa dos neurónios motores vai atacar os seus membros e as suas capacidades, deixando-o com limitações de fala e movimento e possivelmente levando-o a morte.

|| Realização James Marsh


 

O decor: 



Na minha opinião este filme tinha um peso emocional e mesmo visual muito forte, mas uma das coisas que mais gostei nesta produção de James Marsh é que cada segmento do filme por mais cru e brutal que seja é lindo ao mesmo tempo.

Aqui é tudo pensado ao pormenor, o rigor do decor, do guarda roupa e mesmo da postura temporal dos actores.
Em termos do que vemos nos espaços da narrativa, é o típico cotidiano de uma sociedade de classe média dos anos 60/70.

As cores pasteis, as peças vintage, um ambiente familiar e prático mas sem a perder a pinta.

Em Cima: 

  • Uma paleta de cores pálidas de um lado e amarelos dourados no outro já que em cenas como a ópera ou a visita à rainha estes tons enchem o ecrã!
  • Um exemplo de uma cadeira ''Vintage'' que bem podia estar num dos decores do filme.


Espaços com a mesma vibe:




The imitation game


Durante o inverno de 1952, as autoridades britânicas entraram na casa do matemático, criptoanalista e herói de guerra Alan Turing para investigar um assalto. Em vez disso, prenderam Turing por atentado ao pudor, pela ofensa criminal de ser homossexual. Este que havia sido o responsável por quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial.

|| Realização Morten Tyldum



O filme, que se passa praticamente todo numa base militar, segue todo uma paleta de cores muito industriais e claro mecânicas ou não fosse o filme todo em volta de uma máquina.

As cores de ferro envelhecido, os metais e os cobres contrastam com os têxteis mais pobres tanto das roupas como dos cenários, as flanelas e fazendas.

Em duas épocas diferentes do filme, as cores e o decor acompanham o estado de espírito do protagonista, já que quando se encontra em casa já depois da guerra a paleta quente e terracota é substituída por cores pálidas e frias. 

Em Cima: 

  • Uma paleta de cores quentes, cor de tijolo, cor de cobre, verdes secos - Industrial ao máximo!!
  • Um exemplo de um cadeirão de flanela que lembra o cadeirão onde Alan está sentado no ultimo encontro com a sua grande amiga Joan.

Espaços com a mesma vibe:




The Grand Budapest Hotel 

Grande Hotel Budapeste é um filme do género comédia.
Gustave H. é o gerente do Grande Hotel Budapeste, que por causa do testamento de Madame D, uma rica e frequente hóspede ( que lhe deixa uma valiosa pintura) tanto sua vida, como a do mensageiro iniciante Zero, sofrem grandes mudanças.

||Realizador Wes Anderson


O decor: 




Um filme louco, divertido mas com uma mensagem especial bem lá no meio.
Um filme onde o decor é 40 % do conteúdo de toda a história já que a personagem principal vive para este espaço!

Cores quentes, materiais ricos, e muitas alusões a arte déco!
Adorei os candeeiros, a superposição de tapetes no lobby do hotel, o pormenor das portas e das janelas, no detalhe das malas e .... acima de tudo de como nos mostram o hotel, a montagem da imagem que nos guia de um lado ao outro.


Em Cima: 

  • Uma paleta de cores quentes, veludos, linhos, brilho, luxo e vida!
  • Um exemplo das malas antigas, lindas! Que são muito usadas neste filme!

Espaços com a mesma vibe:








1 comentários:

  1. Olá! Antes de mais, eu adoro este blog. E hoje pareceu-me a oportunidade perfeita para fazer um comentário, para dizer que partilho completamente a opinião que, durante esta altura dos Óscares é importante não esquecer que tudo isto acontece por causa dos filmes e do amor pelo cinema, e que “quem vestiu quem” deve vir em segundo plano, e não em primeiro, como muitas vezes acontece. Por isso, fiquei muito feliz quando vi a introdução deste post. Ontem, também fiz um post no meu blog (http://sofiadoscabeloscastanhos.blogspot.pt/) para escrever sobre alguns dos vencedores, cuja vitória me parece bem merecida. Quanto aos vestidos que foram desfilados, alguns são absolutamente encantadores, é verdade, mas devo dizer que as atrizes me inspiram muito mais, em termos de estilo, na interpretação dos papéis e na tela cinematográfica, do que propriamente na passadeira vermelha. É o cinema que me faz sonhar e não a vida real de quem interpreta o papel.

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